ANDRÉ CHRISTOVAM

Biografia
André Christovam ser considerado o principal artista de blues do Brasil é uma possibilidade a ser discutida, mas ele foi sem dúvida o primeiro. É acima de tudo um músico exemplar que traz na bagagem mais de 29 anos de estrada. Um estudioso da história e um profundo conhecedor dessa linguagem musical. Uma vida de muita dedicação à guitarra e a experiência de ter divido o palco com algumas das maiores lendas da música popular no século vinte.
André descobre o músico dentro dele quando ouve no Natal de 1972 a canção Sunshine of Your Love do grupo inglês Cream e inicia um romance com a guitarra através do violão erudito poucos dias depois essa experiência. Seu momento de definição ocorre em 1974, quando ganha uma aposta que fez com o fotógrafo Sérgio Amaral em uma partida de futebol de botões. O pagamento foi o disco “The London Howlin’ Wolf Session”, que tinha a participação dos guitarristas Eric Clapton e Hubert Sumlin. Um disco tão especial que acabaria sendo a maior influência em sua decisão de seguir o caminho do blues.
No início do ano de 1976 inicia com Nelson Brito e Paulo Zinner o Fickle Pickle, um trio com um som pesado, mas com um interessante tempero bluseiro.
Percorre com esse time todas as agruras que os músicos noviços precisam percorrer: centenas de horas de ensaio e depois noites e mais noites tocando em todos os espaços imagináveis da cidade de São Paulo muitas vezes a troco de nada!
Com doze anos de carreira musical e uma longa temporada de estudos no Guitar Institute of Technology na Califórnia seguida de uma outra mais curta com o Fickle Pickle pela Europa, além de uma bem sucedida carreira como “sideman” após ter gravado e excursionado com Kid Vinil e Os Heróis do Brasil, Rita Lee & Roberto de Carvalho, Raul Seixas e Marcelo Nova, André começa a gravar no final de 1988 o álbum “Mandinga”, seu primeiro disco pelo selo Eldorado. Um trabalho que pelo ineditismo de ter todas as suas letras em português, torna-se um marco da discografia do blues nacional.
O lançamento e o início da tour brasileira foram em maio do ano seguinte. O palco de estréia foi o do Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto, um evento inesquecível que pela primeira vez trazia ao país a nata do Blues mundial, entre eles Albert Collins, guitarrista Texano que foi uma de suas maiores influências principalmente após a experiência de ter sido seu roadie, durante sua estada nos Estados Unidos. Sucesso instantâneo? Sabemos que essas coisas nem sempre acontecem… Mas as portas começariam a se abrir… E como de costume a primeira oportunidade apareceu por meio de um convite do mesmo Albert Collins para que André seguisse com ele rumo ao Texas para tocar no “Benson & Hedges Blues Festival”, em Dallas, sendo assistido por mais de 12 mil pessoas. Esse evento foi uma autêntica congregação de estrelas que trouxe ao mesmo palco numa única noite além de Albert Collins, John Lee Hooker, Etta James, The Fabulous Thunderbirds e B.B. King. E a boa repercussão de sua passagem pelo Texas lhe proporcionou a participação na quarta edição do Free Jazz Festival, ao lado de John Lee Hooker e John Mayall no Rio de Janeiro.
A estrada continuava chamando e os shows sucedendo-se. Em pouco mais de um ano surgiu a necessidade de uma breve pausa para trabalhar no seu segundo disco: “A Touch of Glass”.
A Touch of Glass foi co-produzido pelo seu parceiro de estrada o guitarrista Alexandre Fontanetti. Nesse novo trabalho André apresentou composições em inglês, mostrando uma impressionante destreza ao dominar a técnica de “slide guitar”. Com o bottleneck no dedo e muita garra, realizou 70 shows pelo país em apenas seis meses. Finalizou esse trabalho com uma mini tour pelos Estados Unidos.
Foram duas apresentações no Tobbaco Road, em Miami, com a casa totalmente lotada, e uma apresentação em Chicago, a Meca do blues. Esta última foi realizada no Legend´s, atendendo ao convite pessoal de seu proprietário Buddy Guy. Foi o lançamento do disco “Family Style”, dos irmãos Jimmy & Stevie Ray Vaughn, e Buddy queria que seus convidados vissem com seus próprios olhos seu pupilo brasileiro. Na platéia estava a maioria de seus ídolos da adolescência: Buddy Guy, Junior Wells, Dr John, Dave Mason do Traffic e B.B. Odon. Uma noite de pura magia que teve seu ponto culminante com a entrada de B. B. Odon ao palco. A química criada por sua voz e a guitarra de André acabou unindo a alma dos dois. Batismo em Chicago e um gosto imenso de quero mais…
Eles continuaram a conversar por telefone e a idéia de registrarem esse encontro começou a tomar forma. A ajuda de Marty Saltzman – manager de B.B Odon e Junior Wells – foi fundamental. E no verão de 1991 este sonho tornou-se realidade. No estúdio original da lendária Chess Records localizado no endereço 2120 South Michigan Avenue em Chicago, começaram as gravações de um álbum que foi um verdadeiro divisor de águas na história do blues no Brasil. André Christovam, B.B. Odon e a cozinha rítmica de Buddy Guy, composta por Jerry Porter (bateria) e J. W. Williams (baixo e vocal), registraram em 80 horas de gravação o seu terceiro disco: “The 2120 Sessions”.
Em dezembro de 1991, com o disco lançado, a dupla B.B. Odon & André Christovam já está com o pé na estrada mais uma vez, a seqüência de shows no Brasil seria a primeira “perna” de uma tour que em fevereiro de 92 alcançaria a América do Norte antes de um novo disco específico para o mercado internacional. Esses planos foram interrompidos pela morte de B.B. Odon, vinte dias após sua última apresentação no Jazzmania do Rio de Janeiro.
Então, ainda em 1991, André começou a selecionar músicos para aquela que seria a sua “banda ideal”, assim descrita por ele: “Um trio vigoroso que entenda a importância de se tocar com dinâmica, que ouça a grandeza que se esconde no silêncio e acima de tudo que seja uma unidade prática e inteligente!”. Nasceu o André Christovam Trio. A primeira formação teve Paulo Zinner na bateria e Izal de Oliveira no baixo. No final de 1992 Paulo deu seu lugar a Athos Costa.
Atualmente o Trio é formada pelo baixista Fábio Zaganin (desde 1996) e o baterista Mário Fabre (desde 2000), que se incumbem de colorir com seus talentos a guitarra e o vocal de André.
Em meados de 1994, por indicação de Junior Wells, André foi convidado pelo virtuoso gaitista Sugar Blue a tocar em uma seqüência de shows pelo nosso país. Foram oito shows em onze dias.
Mas foi em 1996 que ocorreu uma das mais memoráveis passagens de sua já longa carreira: ele recebeu um convite do genial guitarrista Carlos Santana para tocar em duas músicas durante a primeira das suas três noites no Olímpia, em São Paulo. Como gesto de gratidão André dedicou ao novo amigo a canção Ain´t No Sunshine, gravada no seu quarto cd.
Aliás, esse foi um cd que refletiu sentimentos complexos vivenciados naquele momento. Aproveitando-se da incrível sonoridade do estúdio Mosh, André extraiu das cordas de sua guitarra o seu próprio exorcismo, numa tentativa de conseguir uma purificação, uma limpeza mais que figurativa das emoções de tocar blues por 20 anos no Brasil. O CD gravado recebeu o emblemático título “Catharsis” e foi concebido para ser o final de uma etapa totalmente voltada ao blues tradicional.
Houve, no entanto, uma nova presença sonora no ar e um instrumento ganho de Robert Godin transformou-se no médium capaz de materializar essa presença. Um violão com cordas de nylon, mas sólido como sua Strato 62, foi a voz dessa idéia.
Simultaneamente as músicas de Lenine, João Bosco, Edu Lobo e as novas possibilidades harmônicas adquiridas através da orientação musical recebida do “mestre” Mozart Mello começaram a dividir espaço com a obra de Muddy Waters e de Howlin´Wolf. Mergulhou durante os cinco anos seguintes em um intenso processo de criação.
Mas o apelo do blues não diminuiu. Enquanto se aprofundava nessa nova brasilidade, uma outra parceria estava sendo planejada para a edição do Heineken Concerts de 2000.
Taj Mahal queria uma banda de músicos brasileiros que tivessem domínio das duas linguagens: a brasileira e a do blues. André foi escolhido como arregimentador e montou um time de craques para o evento: Celso Pixinga no baixo, Albino Infantozzih na bateria, Renato Martins na percussão, Flavio Guimarães na gaita e Mozart Mello nas guitarras. Com arranjos inéditos escritos por Mozart e André, composições tradicionais do repertório tiveram sua forma reinventada.
O ano de 2001 foi bastante intenso. André, Fabio e Mario passaram meses dentro dos estúdios Mosh preparando a fusão das suas mais recentes descobertas musicais em um projeto, no mínimo, muito audacioso.
Uma pausa se fez necessária em junho, uma grande celebração pelos vinte e cinco anos de carreira. Uma festa sem precedentes no cenário brasileiro. Estiveram juntos no mesmo palco: Luiz Carlini, Lanny Gordin, Mozart Mello, Sérgio Dias, Marcelo Nova, Theo Werneck, Paulo Zinner, Carlos Gaertner, Fabio Zaganin e Mario Fabre. Inesquecível! Em setembro nasceu seu primeiro filho, Dhaniel, fruto do casamento com a pianista Elaine Christovam.
Nos últimos dias de 2001, uma nova proposta. Assumiu a direção musical do Natu Blues Festival, o maior festival do gênero do país, tendo como primeira tarefa arrumar tempo para escolher e contatar artistas para o evento (brasileiros e estrangeiros) ao mesmo tempo em que preparava-se para a realização de um antigo sonho: a gravação da apresentação de seu trio junto ao responsável por seu primeiro encontro com o blues, Hubert Sumlin.
Essas foram suas palavras: “Tocar com Hubert foi transcendental! Como eu posso descrever estar no palco com a criatura que influenciou imensamente minhas três maiores referências em termos de guitarra: Eric Clapton, Jimi Hendrix e Jeff Beck? Foi como reencontrar meu pai musical após ter me sentido órfão por todos esses anos!”.
O ano de 2002 não foi menos excitante. O seu quinto cd estava pronto. O nome dado a esse projeto traduz perfeitamente a essência da sua própria sonoridade: “Banzo”. Esta palavra de origem africana descreve o mais profundo estado de tristeza do ser humano. “Banzo é mais blues que o blues… Ele tem nosso sentimento de saudade intraduzível em outra língua escrito por todo ele… É dor do fundo da alma…” diz André. ”Foi uma excursão às profundezas da criação…
Ele foi idealizado para ser registrado dentro dos estúdios Mosh, uma vez que nenhum outro lugar no país poderia unir os dois extremos da tecnologia analógica e digital com a mesma perfeição e a sua realização dependeu totalmente da amizade e do respeito que o Oswaldo Malagutti tem por mim e pela minha música. O outro elemento foi à infinita paciência e perseverança do técnico de gravação e co-produtor Sandro Esteban. O novo trabalho vai desconcertar os que vêem o blues como uma música repetitiva, aprisionada em doze compassos e acorrentada aos clichês dos mestres do passado”.
Heresia? Lá fora, quem desbrava novos caminhos para esse gênero centenário é considerado ousado e até visionário. O blues já soube fundir-se a gêneros tão diversos como jazz, rock, tecno, reggae, hip hop, música árabe e africana. “Por que recusar a influência da música brasileira, uma das mais ricas do mundo? Esta é uma evolução lógica”, afirma André. E continua: “Eu não descarto vir a fazer, no futuro, um bom disco com canções que já tenham sido gravadas por outros artistas, obras de outros autores… Uma coleção de clássicos que os fãs de blues conheçam e apreciem, sem correr riscos, sem precisar queimar a pestana… Mas no caso específico do Banzo, fiz exatamente o contrário… É um disco autoral, que envolveu muita pesquisa e experimentos e que contém as qualidades e defeitos inerentes ao trabalho de quem não quis se acomodar… O disco tem três elementos importantes: a guitarra, baseada em meus ídolos, que incluem músicos britânicos e os mestres americanos, textura harmônica mais sofisticada – característica da música brasileira – e a polirritmia africana, do tambor, que é muito importante na nossa cultura”, afirma André com precisão.
O ano de 2003 ficou marcado por uma nova passagem pelos Estados Unidos para a realização de onze shows na costa leste com o gaitista Bruce Ewan com quem havia gravado o cd Mississippi Saxophone em 1996.
Às vésperas de completar trinta anos de carreira, André sente-se criativamente inquieto. “Tem muita música ainda para ser tocada e muitos lugares que eu ainda não visitei… Dessa maneira o futuro se desenha muito parecido com o início da minha carreira… Eu já aceito de bom grado que minha vida é uma tour sem fim…
É a estrada nos levando sempre para perto e para longe daqueles que são importantes na nossa vida… Essa inconstância não me incomoda mais… Desde que a música que eu estiver fazendo seja boa e venha do fundo da alma eu vou estar feliz…”.


Considerado o principal artista do blues do Brasil, André Christovam traz na bagagem uma história de 30 anos de estrada. Foram dez anos de estudos e muitas viagens tocando com diversas lendas do blues.

Define seu futuro musical quando, em 1974, ganha uma aposta que fez com o fotógrafo, Sérgio Amaral. O pagamento foi o disco “The London Howlin’ Wolf Session”, que tinha a participação de Eric Clapton. Mas foi o guitarrista Hubert Sumlin, que também fazia parte deste disco, quem o fez seguir o caminho do blues.

Com doze anos de carreira musical, em 1988, André Christovam grava o álbum “Mandinga”, seu primeiro disco pela gravadora Eldorado, e por suas letras em português, torna-se um marco da discografia do blues nacional.

Quando lança seu disco “A Touch of Glass”, André Christovam apresenta suas composições em inglês e mostra-se um exímio “slide guitarist”. Com bottleneck no dedo, realiza 70 shows em seis meses, culminando com apresentações deste trabalho nos Estados Unidos, no Tobbaco Road, em Miami, lotando a casa por duas noites. Menos de um ano depois, têm início as gravações de um álbum que foi um verdadeiro divisor de águas na história do blues no Brasil. André Christovam, B.B. Odon e a cozinha de Buddy Guy, composta por Jerry Porter (bateria) e J. W. Williams (baixo e vocal) registraram em 80 horas de gravação, o que viria a ser o terceiro disco de André Christovam, “The 2120 sessions”.

Ainda em 1991, André decide formar o que denomina “sua banda ideal”. Nasce então, a André Christovam Trio, que atualmente é formada pelo baixista Fábio Zaganin e o baterista Mário Fabre que acompanham a guitarra e o vocal de André.

Em 96, André Christovam tem participação em duas músicas do lendário guitarrista Carlos Santana durante sua turnê pelo Brasil. E no ano seguinte entra no estúdio de novo e tira das cordas de sua guitarra, o que ele denomina catarse – a purificação ou limpeza figurativa das emoções de tocar blues por 20 anos no Brasil. O CD gravado recebe o título de “Catharsis” e é considerado o começo de novas aventuras do band-leader e o fim de uma etapa de sua carreira.

A descoberta da compatibilidade dos elementos brasileiros com sua maneira “blues” de tocar, indicam novos caminhos para sua música. Do resultado deste novo experimento, surge o CD “Banzo”, o quinto disco de sua carreira, lançado em 2002.

“Banzo”, vai desconcertar os que vêem o blues como uma música repetitiva, aprisionada em doze compassos e acorrentada aos clichês dos mestres do passado. “Banzo” faz a comunhão do blues com o samba, a world music, a MPB.
Heresia? Lá fora, quem desbrava novos caminhos para esse gênero centenário é considerado ousado e até visionário. O blues já soube fundir-se a gêneros tão diversos como jazz, rock, tecno, reggae, hip hop, música árabe e africana, por que recusar a influência da música brasileira, uma das mais ricas do mundo? “Era uma evolução lógica”, afirma André.

Seria mais fácil fazer um bom disco de covers, tocando clássicos que os fãs de blues conhecem e apreciam, sem correr riscos, sem precisar queimar a pestana. “Banzo”, ao contrário, é um disco autoral, com as qualidades e defeitos de quem não se acomoda, pesquisando e experimentando incansavelmente.

As composições, todas de autoria de André, trazem de volta a verve poética que fez de “Genuíno Pedaço do Cristo” (faixa de “Mandinga”) um dos maiores clássicos do blues nacional.
E agora após ter completado seu trigésimo aniversário como músico atuante no cenário brasileiro, ele nos premia com dois cds: The Best of 30 Years e André Christovam Trio Live
with Hubert Sumlin. Ambos previstos para o final do ano!
-”“Tocar sempre, estudar todos os dias, amar o que faz e agradecer a Deus pelo privilégio de nos dias de hoje, nos ser permitido viver exclusivamente da arte que divisamos dentro de nossas almas! É o que, além da minha família, me faz levantar todos os dias com o coração leve e muita disposição” diz André

AC Trio – 2008 – A Jornada Continua

Mesmos nomes, novas idéias.
Nenhum grupo desenvolve-se apenas com ensaios.
A estrada e o palco são dois elementos que aprofundam os laços de qualquer grupo.
Foi assim com nossas referências, tão variadas que mencioná-las é impossível.
Nossa tela tem uma moldura Blues, mas insistimos noite após noite em trazê-la limpa de qualquer pré-concepção.
Nossas canções são as cores de nossas paletas, às vezes densas, violentas e em outras alegres e delicadas.
Só uma regra: Uma performance nunca pode ser igual à outra.
Cada dia é um dia, uma história, uma nova experiência.
Somos três músicos e dispomos de cinco instrumentos: Guitarra, baixo, bateria, voz e silêncio.
Nada define melhor essa formação do André Christovam Trio.
Entramos no oitavo ano juntos. Num mundo em que o que é descartável impera, insistimos em perseverar e aprimorar a todo custo.
Sempre com muito respeito ao ouvido de quem vem nos escutar.

André Christovam – Guitarra & Voz
Mario Fabre – Bateria
Fabio Zaganin – Baixo

Andre no Showlivre

Andre no Programa do Jô.

http://www.youtube.com/watch?v=zqYvesnUOx0

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