GONORRÉIA

 

Gonorréia sob a lona do historico Circo Relampago

Chocar a sociedade baiana careta era mesmo a meta de toda aquela turma punk. Em grande parte eles conseguiram, a começar pelos próprios nomes das bandas pichados em spray nos muros e paredes da cidade. A reação, em tempos de repressão militar e liberdade cerceada, é claro, não tardava. Sem saber, os caras um dia picharam Gonorréia no muro da casa de um juiz federal e os problemas aumentaram. Os grandes jornais de Salvador também temiam ou se recusavam a publicar os nomes das bandas na íntegra, num tempo em que a Aids e as DST ainda não os havia banalizado. Recorriam a versões resumidas e cheias de intimidade, como “o Camisa” e “o Gonó”.

Show no circo Relâmpago, em 1983. No ano seguinte o Gonorréia acabou.

 Scott chegou a cantar logo em seguida nas bandas Delirium Tremens e Papa Anjos. Seis meses depois, em junho de 1984, o Gonorréia voltou a se reunir para uma apresentação no Circo Relâmpago, mas com outro nome, a fim de evitar problemas. Mesmo assim, mantiveram o espírito provocador, adotando a alcunha de Produtos da Censura. A química, porém, assim como o nome, não era mais a mesma.

Nessa parada que demos, o baterista ficou em casa aprendendo com Deep Purple e Led Zeppelin e se meteu a tocar como John Bonham, usando bumbo de heavy metal. Quando voltamos a tocar, a química e a magia da banda já haviam sido perdidas. Fizemos um show e decidimos não continuar, atesta Miguel.

Miguel e Scott, no show do Relâmpago em 83.

Assim foi a Gonorréia, banda que fazia um crossover de punk e metal. Sem dúvida, a Gonó contaminou o segundo maior número de fãs rockers no início da década de 1980, ficando atrás apenas do Camisa de Vênus em popularidade

No Circo Relampago em 1983

Acima uma foto do show de 1983, no Circo Relâmpago  de Silvio Palmeira, instalado num terreno pertencente à Apae, na Pituba. Quem viveu não esqueceu das enérgicas performances de palco da Gonó.

Gonó no Teatro Vila Velha (TVV)

Eduardo Scott, vocalista da Gonó, fundou o primeiro fã-clube do AC/DC de Salvador, antes de criar a banda. Essa foto é de um show da Gonó no Teatro Villa Velha, em 1982.

Scott e o baixista Miguel Bahiense, no show do Villa Velha, em 82. A banda costumava levar dois sacos de lixo fake (apenas papéis e outros objetos que não provocavam ferimentos nem odor) para jogar na platéia durante a execução do hit “Coma lixo pra morrer banguelo”.

Nessa noite, o público preparou uma surpresa. Levou um saco de lixo real e colocou no palco. Quando o saco rasgou no meio da galera foi a maior podrera. A direção do TVV ficou irada.

Circo Relampago em 1983

Em primeiro plano, o guitarrista Paulo Gusmão, no show do Circo Relâmpago, em 1983. A lona da Pituba abrigou um festival promovido pela Bandeirantes FM, no dia 7 de outubro. Concorriam 32 bandas.

A Gonó foi aclamada campeã pela platéia, mas a produção do evento já tinha as cartas marcadas e queria dar o prêmio (a gravação de um compacto em vinil) à banda Skarro, que fazia um som mais comercialmente palatável e tinha entre os integrantes músicos que também tocavam axé. O público protestou e quase o circo foi abaixo.

Em meio à agitação geral, a Gonó foi eleita vencedora no grito. A produção acatou o desejo do público, para acalmar os ânimos, mas o single nunca saiu…

Os trechos acima são reproduções do livro 8205 GONORRÉIA: O RESGATE DA HISTÓRIA, de Eduardo Bastos, publicado em 2006.

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